Conversa com o espelho

Não sei, é tudo muito superficial. Julgam porque você não é cult, porque o seu penteado é last week, porque você não tem o corpo que gostariam que tivesse. Não dá pra encontrar afins, é tudo muito diferente, é tudo muito fechado. Você comemora por estar perto de alguém, e esse alguém acha a sua presença lastimável – mas você não vê. Relações: conveniência. A única pessoa com quem você se dá: indo embora. Não ser boa o suficiente, não ser inteligente o bastante, não ser bonita. É muita exigência. Dói. (Calma, não entre em depressão.) O figurino não agrada. Olhar no espelho amedronta. Diferentes demais. Normal… Sem psicoterapias, é fato… Mas a mente não anda muito sã não. (Será que já esteve?) Morta e moída de saudades, acredita? Não tem condições, já faz muito tempo! De fato, nova rotina. Metrô lento, trem lotado, desconhecidos trombando-se no meio da Paulista, pessoas se pisoteando, algo parecido com o que chamamos de aula todos os dias das sete às dez e meia da noite, expectativas para o início das aulas da manhã, decepções, aquelas paixões antigas no fundo do peito. Negar amores, negar identidades… A vida vai indo, de fato. Não precisa de medo, ela não vai esquecer você por aqui. Tem alguém precisando de um abraço. E tá na hora de parar de segurar o choro. Deixa sair. (Depressão é doença, filha. Necessita tratamento. Amor, eu tenho certeza, ela não está bem. Rápido, segurem-na! Não é bom deixá-la andando por aí sozinha..) De repente você muda com todos. É meio bipolar. Tripolar. Multipolar. Você quer fugir, não sabe nem pra onde. Não sabe o que quer, nem o que querem de você. Ai, pára, pára! Meninas não devem falar palavrão. Pederneiras. É legal, é gato, tá no ponto, mas é um Mané. E você ainda gosta daquele ser patético que sempre te desprezou. Além disso, você não é delicada, você não é fina. Você não tem timing, nem vai muito longe assim. Você é patética! Patética! (Mamãe te ama, filha.) Sente saudades, sabe como é. (Foi escolha sua.) Você teve medo, foi isso. E te avisaram que era a escolha errada. Você insistiu. Você é … é.. você é prego. Prego toma na cabeça. Eterno passarinho fora do ninho. Você não devia falar assim. Não devia falar nada. Não devia existir. Não sei, é tudo muito superficial. O mundo é superficial. Você é superficial. Eles te julgam. Eu te julgo. Você se julga. Mas não há necessariamente um julgamento correto.

Eu tô avisando porque eu sou legal.
Você vai explodir.

Não faz sentido

Publicado originalmente no Fotolog, em 20 de Fevereiro de 2007, sob a pressão de estar na Cásper sem aparentemente nenhum amigo, nem mesmo potencial. Não mudou MUITA coisa de lá pra cá, se eu parar pra pensar bem. Até piorou.

2 comentários em “Conversa com o espelho”

  1. Acho que só tenho duas coisas a falar:

    1. Relações: conveniência – isso é complicado. Sei como você se sente, algumas vezes sou 100% assim, principalmente em ambientes estranhos, claro.
    2. Você só colocou isso no seu blog agora. Esperou passar o momento em que sentia tudo isso? Foi para quê? “Lamber a cria”? Hehehe.

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