Considerações

Eu acho que descobri a causa dos meus gigantes hiatos criativos. Inocência. A falta dela. O limite. Cheguei no limite. Fechei tanto a guarda que acabei – ironia! – abafando a minha inocência com minha desconfiança. Desconfiando de tudo e de todos, fica difícil sentir. Sem sentir, como escrever?

Graças a Deus e a algumas conversas com o Tagliati e o Bruno (sem falar na querida Giovanna), eu descobri onde morava meu problema (OU acho que descobri, isso só saberei a longo prazo).

E agora é comigo. Prometo parar um pouco de reclamar da vida. Mentira! Quer dizer, eu sei que um dia vou poder sentir saudades do que vivo hoje. Eu tenho a vida que via nos filmes e desejava. Tenho privilégios que muitos nunca terão a não ser em sonho. Privilégios, tudo o que tenho. Eu acordo cedo e vou pra uma das melhores universidades do país. Passo tardes entre livros, música e internet – tudo de que mais gosto. Quase todos os dias tenho pelo menos uma hora que reservo a escrever, ler, ou só pensar naquilo que me dá vontade, sentada num sofá da Starbucks, embalada por uma boa bebida, às vezes acompanhando uma fumacinha – minha ou alheia, tanto faz. Tenho amigos que compartilham dos mesmos sonhos loucos. Tenho uma pseudobanda. Um amor não correspondido pra inspirar minhas canções dor-de-cotovelo. Uma irmã linda pra modelar pra mim quando estou a fim de brincar de fotógrafa. E tenho lugares e lugares pra fotografar! Tenho uma irmã pra quem posso ligar e falar “quero colo” e chamar pra matar aula comigo nas terças à noite. Pais que me amam. Muito. (Parece óbvio, mas não é sempre assim). Tenho duas cachorrinhas tão carentes quanto eu praquele momento em que eu quero apenas deitar na cama e chorar – mas não me sentir sozinha, embora não queira companhia. Enfim, eu tenho liberdade. Porque eu sei e consigo ser só, mas não o faço o tempo todo. E, acima de tudo, por mais fortona que eu pareça ser, por mais medo que eu demonstre sentir, eu tenho esperança. É. Eu espero que um dia eu consiga algo mais que querer ser feliz. Só dou tempo ao tempo. Eu sei que tudo tem seu tempo, e às vezes só observo, minuto a minuto, as coisas dando certinho na minha vida, não quando eu quero – mas quando tem que ser – como eu assistisse à minha própria vida. Como se fosse um filme.

Visitante

Uma das minhas maiores angústias é a inspiração. Não é que ela não venha mais – ela vem, e vem quase todos os dias. Mas chega sempre na madrugada, ao me ver reclinar a cabeça no travesseiro e ceder ao pesar das pálpebras cansadas. Além de tudo, a danada da inspiração é exigente. Não permite que eu me mova ou acenda a luz. Vai embora ao menor sinal de tentativa de registro. Perturbadora. Ainda vão criar uma máquina que grava pensamentos. Provavelmente será tarde demais…

Boa noite

(No escuro do meu quarto, lá pelas 23h30)

Ela entrou devagarinho. Deu um beijinho na testa da Tainá e um na minha, achando que eu estivesse dormindo. Pedi que ela sentasse na pontinha da minha cama. Que me fizesse um pouco de carinho. Sentia que ia ser difícil ter um momento desse de novo nos próximos meses.

– Você está tão linda, filha. (Aquela voz terna que só as mães têm)

– Não sei aonde…

– Você tem que parar com isso. Quem foi que disse que não?

– O espelho.

– Ah, Ariane, preste atenção, filha… Pare de se apegar a esses referenciais tão comerciais! Esse padrão que o mundo vende como perfeito não existe !

– Existe. E nada muda minha opinião. Eu não sou linda. Não estou. Mas eu te amo.

– Carpe Diem, querida! Nada nunca será suficiente. Nunca estaremos satisfeitos. Sempre haverá algo que queremos mudar. Seja feliz. Aproveite enquanto pode. A gente nem vê o tempo passar… Você não pode esperar as coisas acontecerem para ser feliz. Não pode decidir que vai ser feliz “assim que tiver a carta”, “quando arrumar um namorado”, “depois de emagrecer X kg”. Seja feliz agora, você tem tudo que quer, sempre. Sempre consegue, com o mínimo esforço, tudo que sonha. É inteligente, pena que tão ingênua… Eu te amo.

– Te amo, mãe. Mais que tudo. E não vivo sem você. Vai ser tão difícil recomeçar…

– Te amo. Boa noite. Força, filha.

(Se ela tem tanta força, há tantos anos, por que eu – um pedaço dela – não teria?)

Só lamento voltar àquela vida ingrata de vê-la apenas aos finais de semana , ou de madrugada (no ir e chegar da faculdade, quando ela ainda –ou já – está dormindo um sono leve e cansado de quem trabalha demais).

E agora, oficialmente, acabaram-se minhas tão adoradas férias.

fotografia: Eu, Mãe, Tainá e uma senhora. Embu das Artes, 1996.

Re: O Amor dos Incompletos

Devorei… E concordo! Quer dizer, se eterno e infinito puderem ser relativizados. Ele escreve muito bem, e eu acho que, bobagens a parte, o que mais me doeu foi ter me identificado com a situação, mas, ao olhar pro lado, ter visto que ele¹ não estava mais aqui.

“Se ele decidir não estar mais por perto, você vai encontrar alguém que queira permanecer, e que decida dividir contas e queira discutir como educar os filhos muito antes disso acontecer de verdade, só por precaução…para evitar debates mais sérios num futuro que certamente vai existir…”

Às vezes a gente se distancia tanto de alguém que esquece o quanto cada conversa com essa pessoa acrescenta no nosso repertório. No caso, no emocional. Pois é, minha arrogância e minha possessão bobas sempre dão sentido aos tapas na cara que a vida me dá. E é bom saber que de vez em quando toda a minha fobia social não arruina ‘relacionamentos’ produtivos como o que eu tenho com ele. Quer dizer, a gente pouco conversa, diferente de antes. Mas sempre que para pra conversar, ele tira algo útil e verdadeiro de dentro de mim. Falta um pouco de gente assim no mundo.

¹: vulgo “Caio”, “Primeiro Amor”, “Amor Eterno”, “Paixão”, “8 anos de amor”, enfim…

Sobre o que tenho feito nesse fim de férias

Ok, ok. Passei dias e dias lendo. E lendo. E lendo de novo. Lolita, Nada de Novo no Front, alguns artigos na Wikipédia e outros muito engraçados (e trágicos – devido a compatibilidade!) na Desciclopédia. E ok, vi mihões de vídeos RETARDADOS e NERDS no youtube. Além de milhares de experiências astrológicas. HAHAH. Mas sou feliz, man, sempre serei.

Nada que um teste diga vai me desanimar. (Mas que eu rio horrores com essas indiretas que meus “amigos” me mandam via e-mail… ah, rio! HAHAH)

Aí embaixo vão resultados de um dos último testes ridículos que eu fiz. Okay, ele foram bem sinceros até.

Você é um Nerd?

Resultado: 84 Pontos

Nerd em estágio crítico!

Você é um ser extremamente raro, poucos como você já foram vistos em público ao redor do mundo. Algumas pessoas acreditam que os nerds deste nível são radioativos.

http://www.osvigaristas.com.br/testes/nerd/

Tarô do Amor com Caio Bio

O Pendurado

Esta carta indica uma situação de ilusão e frustração; este arcano possui a idealização da relação perfeita, ama o que sente e não aos outros; a mudança de atitude é imprescindível.

Previsão: o relacionamento é nulo, problemático, complexo, não possui nenhuma perspectiva de união feliz; muitos obstáculos familiares e/ou pessoais.

Alerta: sai dessa, jacaré!

De Você

Finalmente, está marcada a estréia do clipe “De Você”, da Pitty, gravado em março e até então em fase de edição. As fotografias deixaram um gostinho de “quero ver” (principalmente em mim, que tive a impressão de que as imagens nada tem a ver com a letra da música). Enfim, Pitty disse no boteco hoje que, dia 5 de agosto, na MTV, o clipe entra no ar. E bora lá que eu quero ver. =)

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fotografia: Elektra Mosley, a vocalista daquela banda Pseudo-Paramore emergente sobre a qual já falei aqui, Fake Number. 🙂

Na hora certa

Nem me dei conta. Quando vi, já estava sonhando de novo.

Não com fama, sucesso, dinheiro, reconhecimento. Eu sonhava com uma noite na varanda da casa grande de alguma fazenda com direito a rede, violão, conversas sinceras sobre sentimentos verdadeiros. Sonhava estar fazendo o que sempre quis; música pra mim, música pra relaxar, pra descontrair. Sonhava com a mesma pessoa de sempre ao meu lado, sempr eum grande amigo. Com grandes amigos, quem precisa de mais?

Sonhei com nome, myspace, alguns dos mais queridos ali, naquela rodinha gostosa e aconchegante de inverno, com seus cachecóis pendurados, seus casacos, luvas e touquinhas. Casais abraçados na grama extensa, uma fogueira servindo de centro, pessoas sorrindo, soprando o ar gélido pra ver a fumacinha sair. Cânceres, druguis, boa música… Tudo que uma boa alma precisa.

Sonhei que eu podia o que quisesse. Que tinha parado de falar e começado a fazer. Sonhei que alguém me amava: eu mesma. E foi o maior amor que vivi até então – porque eu estava melhor que nunca.

Sonhei que eu era feliz. E não é que sonhar pode dar certo?

(Sempre tem alguém com um sonho parecido com o seu disposto a te dar a mão. Se estiver difícil achar… Bom, aí dê a mão pra si mesmo e vá em frente sozinho. Nada pior do que parar no tempo por não ver ninguém seguindo ao seu lado. Sempre há alguém.)

Na hora certa, eu tenho certeza que vou ouvir o sussuro, baixinho, no meu ouvido. Na hora certa …

… “eu te amo”.

Conversa com o espelho

Não sei, é tudo muito superficial. Julgam porque você não é cult, porque o seu penteado é last week, porque você não tem o corpo que gostariam que tivesse. Não dá pra encontrar afins, é tudo muito diferente, é tudo muito fechado. Você comemora por estar perto de alguém, e esse alguém acha a sua presença lastimável – mas você não vê. Relações: conveniência. A única pessoa com quem você se dá: indo embora. Não ser boa o suficiente, não ser inteligente o bastante, não ser bonita. É muita exigência. Dói. (Calma, não entre em depressão.) O figurino não agrada. Olhar no espelho amedronta. Diferentes demais. Normal… Sem psicoterapias, é fato… Mas a mente não anda muito sã não. (Será que já esteve?) Morta e moída de saudades, acredita? Não tem condições, já faz muito tempo! De fato, nova rotina. Metrô lento, trem lotado, desconhecidos trombando-se no meio da Paulista, pessoas se pisoteando, algo parecido com o que chamamos de aula todos os dias das sete às dez e meia da noite, expectativas para o início das aulas da manhã, decepções, aquelas paixões antigas no fundo do peito. Negar amores, negar identidades… A vida vai indo, de fato. Não precisa de medo, ela não vai esquecer você por aqui. Tem alguém precisando de um abraço. E tá na hora de parar de segurar o choro. Deixa sair. (Depressão é doença, filha. Necessita tratamento. Amor, eu tenho certeza, ela não está bem. Rápido, segurem-na! Não é bom deixá-la andando por aí sozinha..) De repente você muda com todos. É meio bipolar. Tripolar. Multipolar. Você quer fugir, não sabe nem pra onde. Não sabe o que quer, nem o que querem de você. Ai, pára, pára! Meninas não devem falar palavrão. Pederneiras. É legal, é gato, tá no ponto, mas é um Mané. E você ainda gosta daquele ser patético que sempre te desprezou. Além disso, você não é delicada, você não é fina. Você não tem timing, nem vai muito longe assim. Você é patética! Patética! (Mamãe te ama, filha.) Sente saudades, sabe como é. (Foi escolha sua.) Você teve medo, foi isso. E te avisaram que era a escolha errada. Você insistiu. Você é … é.. você é prego. Prego toma na cabeça. Eterno passarinho fora do ninho. Você não devia falar assim. Não devia falar nada. Não devia existir. Não sei, é tudo muito superficial. O mundo é superficial. Você é superficial. Eles te julgam. Eu te julgo. Você se julga. Mas não há necessariamente um julgamento correto.

Eu tô avisando porque eu sou legal.
Você vai explodir.

Não faz sentido

Publicado originalmente no Fotolog, em 20 de Fevereiro de 2007, sob a pressão de estar na Cásper sem aparentemente nenhum amigo, nem mesmo potencial. Não mudou MUITA coisa de lá pra cá, se eu parar pra pensar bem. Até piorou.