Horrorshow

Ou De como acho que toda essa angústia não passa de uma imensa necessidade de crescer

Sim sim sim, era isso. A mocidade tem que passar, ah é. Mas a mocidade é apenas ser de um certo modo, como, digamos, um animal. Não, não é somente ser assim como um animal, mas também ser como um daqueles brinquedinhos malenques que a gente videia vender na rua, assim tchelovequezinhos de lata com uma mola dentro e uma borboleta do lado de fora e quando se dá corda, grr grr grr, ele ita, assim andando, ó meus irmãos. Mas ele ita em linha reta e bate direto nas coisas, ploque ploque, e não pode evitar o que está fazendo. Ser jovem é como ser assim uma dessas maquininhas malenques.

Alex Delarge, Laranja Mecânica. (Anthony Burgess)

Toda vez que leio um bom livro (ou vejo um bom filme) tenho a sensação de que tenho muito a dizer. É fato, depois de algumas reflexões, acabo por não dizer nada. Acho que tudo que gostaria de exprimir, grosso modo, não passa de um desabafo. Histórias pessoais aplicadas a casos filosóficos especiais, que se acenderam na memória depois de uma sessão de prazer prolongado (é isso que a leitura é pra mim).

De qualquer forma, acho que será sempre assim. Sempre terei muito a dizer, mesmo, no fim, nunca dizendo nada.

Em Alex Delarge foi que me (re)descobri: Uma jovem. Vivendo à base de livros, internet e cânceres aleatórios. Ultraviolenta, da minha própria maneira. Ainda sem muita certeza sobre ser ou não drugui de alguém. Com uma imensa necessidade de crescer. É sempre bom reler um livro que te despertou algum dia.

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