(E tudo isso começou com um scrap!)

Ahhh! Usp, Paulista, Cásper…
Troquei a vida straight pela junkie sem nem ver, com direito a largações no meio da rua, fumaça, violão e rodinhas, muito estudo, livros, poesias, entrevistar milhões de pessoas desonhecidas, filmar, ser filmada, fotografar, fotografar, fotografar, shows, conversas nerds no apê dos amigos, conversas cults na mesa do bar, falar besteira até cansar – e não cansar nunca, amigos de verdade, Monique Evans e seus travecos, uma repórter vestida de noiva, o gatinho que protagonizava Malhação na sua adolescência te pedindo fogo pra acender um cigarro no escadão, perseguição aos gatinhos com o amigo gay, desabafos com direito a abraço e chororô no meio da avenida, punks loucos e cheirados pensando que conseguem tirar dinheiro dos outros só porque são bonitinhos, gays gays gays, um idiota que pensa que é o Sid Vicious, atravessar a rua com o Lucas “Paraíba” e não reconhecê-lo, ser esquecida por entrevistados ‘pseudos-famosos’ depois de levar inúmeras cantadas, pegar chuva de macaquinho, emos no metrô, placas de “me dá um abraço”, scraps e twittadas dizendo “te vi no elevador da Gazeta” ou “nossa, certeza que era você ontem subindo a Al. Campinas”, perder a oportunidade de conhecer o Silvio Santos porque tem gravação de um documentário sobre “O ritmo de vida moderno” e você é a personagem principal de uma encenação – que no fim nunca existiu – exatamente no mesmo horário que a assessoria do SBT marcou a reunião com você, meninas de 14 anos vestidas como o que elas dizem ser From UK tirando fotos emo com copos da Starbucks na mão, balada com Sérgio Mallandro agitando o “Créu” pra você, rever o amor da sua vida no baile de formatura do colégio antigo e ainda fazê-lo ficar vermelho só ao dizer “oi”, reencontrar uma paixão platônica que pensou que nunca mais veria na vida caindo exatamente na sua sala da faculdade, pagar pau pro “bixo-boina” sem saber que ele é famoso, fazer curtas imitando a mulher que não é especialista em nada e só fala em índios e aborígenes, calar a boca da amiga bêbada às 4a.m. quando ela se oferece pra pagar o taxista com o corpo, Chocolate quente, Charamel Machiatto, Espresso Latte…. Milhares de pirações que só se encontram no Centro da cidade. Trabalhos, trabalhos, trabalhos… Notas vermelhas mais do que notas azuis, cansaço, sono, TPM, mau humor, carência, estresse, paixonites, incorrespondências… Falo muita coisa que aconteceu nas últimas três semanas aqui, e, ainda assim, não falo quase nada…

A minha vida pode ser qualquer coisa, menos parada.

CONSIDERAÇÕES

Diálogo # 1

– E aí, como foi o feriado?

– Ah, ótimo! Dormi bastante … E o seu? Foi pro Juca, né?

– Sim, foi muito bom! E você, foi pra algum lugar?

– Não, fiquei em casa, né! Olha bem pra mim…

– Ah, não! Eu vou tirar você dessa toca, você precisa sair dessa já!

Diálogo #2

– Eu sou muito chata, né?

– Ah, é, … , é.

Diálogo #3

– Quem não te conhece bem enxerga em você um envólucro, uma bolha. Você faz questão de deixar claro com um olhar, que seja: Não se aproximem.

– Eu…

Diálogo #4

– Você me acha bonito?

– Sim… sim. Eu te acho bonito de todas as maneiras, sabe? Você é bonito em todos os aspectos… é impressionante…

– Obrigado…

– Às vezes eu queria ser como você…

– Você também é linda à sua maneira.

Com o espelho

Nunca quis tanto me compreender como quero agora. Eu cansei de procurar a solidão, de estar sempre sozinha, de fazer questão de me isolar. Eu não fui sempre assim, anti-social. E eu não quero ser pra sempre assim. Estou longe de saber o que criou todos esses bloqueios que tenho hoje, mas sei que preciso encontrar uma maneira de driblá-los. É sempre hora pra ser feliz; mas ainda não encontrei a felicidade. Tudo que conheci até hoje foram momentos de euforia. E a euforia sempre precede a depressão…

Sabe o que é pior? depois de alguns segundos de autocontemplação, só conseguir chorar. Mas vai passar. Tudo sempre passa, de alguma maneira.

O problema (graaaaaaaaaaaande problema!) é: quando?

“semana que vem” martelando na cabeça. a vida em fotografias.

Overdoses

Pense numa pessoa desorientada. É isso. É assim que ando nos últimos meses. Parece que quando eu penso que vou ter tempo de parar e relaxar… Whooop! Lá vem bomba de novo. São entrevistas, matérias, provas, documentários, apresentações, brigas, compras, … ! Haja saco pra tanta coisa.  O que me faz olhar pra frente é saber que essa vida fui eu – só eu, mais ninguém – quem escolheu.

Tudo bem, esses professores também andam meio descompensados: Todos mandaram milhõões de trabalhos de uma vez, e todos para praticamente a mesma data. Assim não dá. Alguém tem uma maquininha de multiplicação?

Agora minha mãe tá no quarto ao lado, doente. Eu lendo coisas sobre punk, indianos, variação linguistica e semiótica, tudo ao mesmo tempo aqui. A cozinha me chamando “Vem fazer almoço que você tem que estar na faculdade em uma hora”. Não dá tempo de respirar. Nem começar com o #blogZ eu consegui. Já estou até com vergonha dos meninos. Pensando seriamente em abandonar a lista de colaboradores sem sequer ter começado lá.

Ah, foi só um desabafo. Na pressa.

às vezes faz bem

When you have to shoot, shoot, don’t talk.

Tanta coisa que confunde, que assusta… Vira e mexe a gente passa por aquelas crises que sequer têm motivo: acontecem. E aí é aquele tal de falar, falar, falar e não fazer nada! Por que será, hein? Por que quando estamos em crise queremos sempre explicá-las, e acabamos por não resolver nada? Eu não sei. Não tenho a mínima noção – e estaria mentindo se dissesse que isso não me incomoda. Incomoda siiim, por um único e siiiimples motivo: Eu estou SEMPRE em crise. É um tal de meu cabelo não está do jeito que eu gosto, estou gorda demais, estou sozinha demais, quero um namorado, não quero ninguém, estou gostando dele e ele não me corresponde, ele me corresponde mas não tô mais a fim dele… tudo pra mim é motivo pra surtar. E isso quando estou normal – porque de TPM O.O é ainda pior. Tá, tá, tá, pode parecer paranóia – mas porque diabos eu não levanto da cadeira e ajo, ao invés de lamentar?
hahah. Olha só eu me lamentando de novo. Faz parte… é isso. Faz parte da vida ter crises, entrar em indagações profundas e non-sense… Mas é verdade é mesmo que também é preciso agir. É isso… When you have to shoot, shoot, don’t talk. É o melhor conselho que eu já ouvi. Só falta aprender a usar…

Easy

Desenterrado de http://www.lastfm.com.br/user/xdramatic_sinsx/journal/

Jul 25 2007, 0h58

Já tinha até me esquecido do quanto odeio o metrô em horário de rush. Do quanto o Centro dessa cidade é lindo, ou mesmo de como é sentar numa sala e ver um cara lá na frente (achando que está) te enrolando e se sentindo no direito de fazê-lo – apenas porque já estudou um pouquinho mais e tem lá sua pós ou seu mestrado. Já tinha esquecido o quão difícil foi habituar-me à ‘viagem’ que é daqui de casa ao cursinho, ou à Paulista, ou mesmo à galeria. Enfim, de como minha casa parece ser longe de tudo quando o meio de transporte é público. Impressionante a quantidade de coisas que esqueci nesses quinze míseros dias de férias – coisas que levei cerca de seis meses para aceitar, entender, seja lá qual for a palavra.
Enfim, bom ou não, hoje pude lembrar tudo isso outra vez. Avenida Paulista, Universidade Cásper Líbero, professor/palestrante enrolão, viagem hipercansativa, metrô abarrotado de gente, jantar no McDonald’s com a Gabi, risadas e internas mil, saudades de uns, raiva de outros, gastar fortunas em chocolate (fortunas mesmo 🙁)… Enfim, hoje foi o dia de lembrar que minha vida não é ir dormir de madrugada, acordar quase meio-dia, ler o dia todo, ver um filme ao entardecer e passar a noite na internet. Não mesmo. E que essa ‘mordomia’ (pra não dizer vadiação, né?) acaba hoje. E lá se foram as férias, la se foi meio anoooo. E foi embora, pra longe. Fácil, fácil.. Tá, tá bom. (Se leu até aqui esperando chegar a um final glorioso, desista: É só mais uma das minhas divagações que não fazem sentido nenhum). E bateu de repente – foi bem na hora em que eu estava colocando catchup naquele potinho estranho, lá no Mc (momento poético, fala sério!), e começou a tocar um das minhas músicas favoritas – Easy, do Faith no More. Foi quando aquelas minhas confusões mentais começaram a me atordoar de novo (poxa, bem na hora de comer!) e eu resolvi que botaria no papel – mas depois de comer. Nada de indigestões filosóficas. Pois bem… escrevê-lo-ei.
Sabe o que é? Enquanto Easy tocava,[e eu pegava catchup e a Gabi esperava pelas suas batatinhas haha], a letra ia se repetindo na minha cabeça. E foi aquele momento da frase mais clichê do mundo: a vida passou como um filme em minha cabeça… Tem tanta gente que canta músicas (embroma, devo dizer) sem nem saber o que está cantando e acha o máximo… Não sei por que, mas desde pequena não consigo cantar (nem mesmo ouvir) algo que não sei o que significa. Sim sim. Nunca fez sentido pra mim ver uma criança dançando e cantando histérica tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha… (Tá, eu acho que isso não deveria fazer sentido pra ninguém, mas não vem ao caso). Pois é. E de repente eu ouvia I wanna be high, so high… I wanna be free to know the things I do are right… i wanna be free – just me… oh babe… É isso. Eu quero me sentir livre, sem essas encanações, sem essas preocupações e exigências do mundo sobre mim – eu quero estar certa DA MINHA MANEIRA. (E sim, eu fui muito além da música, quem liga? Não é pra isso que arte serve, pra nos levar além – cada um com sua interpretação?)É, tanta coisa entra e sai das nossas vidas com facilidade! Tantas pessoas conhecidas, esquecidas, amores e desamores, relacionamentos começados e terminados… ultimamente a única coisa que tenho concluído é que a vida passa. (UHUL /o/~Como eu sou inteligente!) Mas não apenas passa, ela muda, muda constantemente… e eu não tenho lidado da maneira correta com as mudanças – o medo tem feito com que eu perca momentos especiais e não veja… ahhh, vida, Fácil fácil ela vai embora…

O bom é que amanhã já terei esquecido de tudo outr avez…

[eu avisei que era uma divagação-nada-a-ver-que-não-teria-conclusão]

:*

Sinto falta de dias assim.

Horrorshow

Ou De como acho que toda essa angústia não passa de uma imensa necessidade de crescer

Sim sim sim, era isso. A mocidade tem que passar, ah é. Mas a mocidade é apenas ser de um certo modo, como, digamos, um animal. Não, não é somente ser assim como um animal, mas também ser como um daqueles brinquedinhos malenques que a gente videia vender na rua, assim tchelovequezinhos de lata com uma mola dentro e uma borboleta do lado de fora e quando se dá corda, grr grr grr, ele ita, assim andando, ó meus irmãos. Mas ele ita em linha reta e bate direto nas coisas, ploque ploque, e não pode evitar o que está fazendo. Ser jovem é como ser assim uma dessas maquininhas malenques.

Alex Delarge, Laranja Mecânica. (Anthony Burgess)

Toda vez que leio um bom livro (ou vejo um bom filme) tenho a sensação de que tenho muito a dizer. É fato, depois de algumas reflexões, acabo por não dizer nada. Acho que tudo que gostaria de exprimir, grosso modo, não passa de um desabafo. Histórias pessoais aplicadas a casos filosóficos especiais, que se acenderam na memória depois de uma sessão de prazer prolongado (é isso que a leitura é pra mim).

De qualquer forma, acho que será sempre assim. Sempre terei muito a dizer, mesmo, no fim, nunca dizendo nada.

Em Alex Delarge foi que me (re)descobri: Uma jovem. Vivendo à base de livros, internet e cânceres aleatórios. Ultraviolenta, da minha própria maneira. Ainda sem muita certeza sobre ser ou não drugui de alguém. Com uma imensa necessidade de crescer. É sempre bom reler um livro que te despertou algum dia.

Madrugada

00h27.
Solilóquios infantis olhando para o celular.
Todo mundo vive dizendo que devia falar com ele.
Todo mundo diz que nunca iremos nos entender enquanto não disser que o amo.
Vou ligar para ele.
Não. Não vou.
Mas…
Ah, vou sim.
Não.
Nada disso, contenha-se!
Será que ele já chegou da faculdade?
Será que vai me atender bem?
Não.
Não vou ligar e ponto.
*pega o celular e disca*
NÃO!
Pára!
*apaga tudo*
Ah, quer saber…
Dane-se.
*aperta o número da discagem rápida e arrisca*

– Alô.
*MEU DEUS! A VOZ DELE!*
Súbito arrependimento.
Agora fala, né, seu número já apareceu lá.
Sua besta, eu disse pra não ligar.
– Alô???
*FALA LOGO!*
– A-a lô? Caio?
– Oi?
– Sou eu, Ariane. Só liguei mesmo pra dizer que ainda te amo. Eu sei que é tarde e não parece fazer sentido, ma…
– Nn…
*silêncio profundo de alguns segundos*
– … mas eu precisava dizer isso. Já disse. É tarde. Vou te deixar descansar. Obrigada. Bei…
– Calma. Peraí. Posso?
– Hm?
– Não esperava… É… Acabar nisso, não. Não de novo. Vamos nos ver amanhã? Te encontro na saída do trabalho…
– Tem certeza? Por mim tudo bem.
– Tudo bem, então. Beijo.
– Beijo, boa noite…
– Ariane?
– Eu também.
– O quê?
– Eu também te amo
tu tu tu tu tu tu tu tu tu…

Esfrego os olhos, atônita.
Como assim, isso realmente aconteceu?
O número está aqui, gravado na memória do celular…
Isso não garante nada.
Já ameaçou ligar e não esperou chamar várias vezes.
Não pode ser.
Bobagem.
Cochilei.
Isso é sono.
Sono, isso mesmo.
(Sono não devia ser – não pregou os olhos até a hora de levantar.)

Arrumou-se como todos os dias. Cinco e meia, saiu feito um zumbi, passou o dia num mundo paralelo, não rendeu nada na bendita redação e até preocupação gerou nos colegas de trabalho.
– Você é sempre tão criativa, tão ligada!
– Aconteceu alguma coisa?
– Precisa de ajuda?
– Está doente?
– Só não dormi direito.
(Era só o que conseguia responder.)
Só conversava consigo mesma.
Debateu o dia todo com seu interior.
Odiava-se.
Era tudo sua imaginação, mais uma vez.
E mais uma.
Só se deu conta do que estava acontecendo quando, ao abrir a porta do carro, já na saída do serviço, sentiu a mão dele em seus ombros.
Dois adultos com as bochechas vermelhas, sorrindo um para o outro sem saber o que dizer.
Duas criancinhas.
Apaixonados.
Ali estavam.
As crianças que um dia se apaixonaram.
Os adolescentes que negaram até à última consequencia seu amor.
Os adultos, finalmente decididos.
Ali, frente a frente.
Podendo dar um rumo a tudo aquilo.
Tanto a dizer…

Mas nenhum falou.
Olharam-se fixamente cerca de dois minutos.
Abraçaram-se.
E tudo foi dito naquele gesto.
A vida que podia ter sido e não foi.
– Não quero mais perder tempo.
Qual dos dois disse primeiro, não vem ao caso.
Agora seria, os olhares disseram um ao outro.
– Não acredito que liguei!
E o beijo completou tudo.

(Quem me dera que na vida real fosse assim! Na minha, a história parou no 14º parágrafo…)

Pecado Original

Álvaro de Campos 

 

  Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido?
  Será essa, se alguém a escrever,
  A verdadeira história da humanidade.  O que há é só o mundo verdadeiro, não é nós, só o mundo;
  O que não há somos nós, e a verdade está aí.

  Sou quem falhei ser.
  Somos todos quem nos supusemos.
  A nossa realidade é o que não conseguimos nunca.

  Que é daquela nossa verdade — o sonho à janela da infância?
  Que é daquela nossa certeza — o propósito a mesa de depois?

  Medito, a cabeça curvada contra as mãos sobrepostas
  Sobre o parapeito alto da janela de sacada,
  Sentado de lado numa cadeira, depois de jantar.

  Que é da minha realidade, que só tenho a vida?
  Que é de mim, que sou só quem existo?

  Quantos Césares fui!

  Na alma, e com alguma verdade;
  Na imaginação, e com alguma justiça;
  Na inteligência, e com alguma razão —
  Meu Deus! meu Deus! meu Deus!
  Quantos Césares fui!
  Quantos Césares fui!
  Quantos Césares fui!

  * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *É, estou sem tempo.