Conversinhas de rabo de olho

Assim, de repente, sem explicação plausível. Só olhou pra ele e ouviu um “Senta aqui”. Foi pega de surpresa. Esperou bastante tempo por isso. Por ele. Para que se dirigisse – uma palavra que fosse! – a ela, espontaneamente. Um ano o observando sem ser notada.

(Tolinha, tão platônica. Já idealizara, já odiara, já escrevera inspirada por ele, já se arrependera muito. Tanta coisa mudando em sua vida, e ele lá. Parecia a coisa mais cruel do mundo: Como assim, o mesmo lugar? Como assim, EXATAMENTE o mesmo lugar? O destino pregando peças, e os dois acabando juntos sempre, mesmo separados. Ele… Sempre com aquele jogo de olhares, sempre mostrando que a presença dela não fazia a menor diferença.)

Chamou-a pra conversar, e desfiaram horas e horas nos assuntos mais bobos, mais prosaicos, mais comuns. Enquanto uma se derretia cada vez mais, o outro descobria que ela não era tão insignificante assim. De um segundo para o outro, sem muitas justificativas, estavam próximos.

Ele sempre a encantando. Ela sempre o surpreendendo. De certo modo, isso a alimentou. Não de esperanças, ou qualquer coisa do gênero. Se quer saber, não há como descrever do que foi que ela se sentiu cheia quando ouviu o convite. Mas, sabendo da pouca chance que tinha com ele, resolveu não tentar. Os sinais mudavam, aumentavam, mostravam-se mais evidentes.

E ela não queria tentar.

Era amor.

Era muito mais sedutor prolongar essa troca, ainda mais agora.
Agora ela tinha consciência: Ele sabia que ela existia.

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