A vida corrida, o blog dando piti no fim-de-semana e estragando todas as minhas belíssimas confgurações, a carência, bla bla blás.

Beijos tô de mau humor fim.

Fiz cerca de cem mil posts, mas, infelizmente, não tô a fim de pegar o pen drive, pegar o note, passar do note pro pen, do pen pro pc, e do pc pro blog.

Tô de mau humor SIM.

Fim.

Estudo dos Clássicos?

Lá na frente ele fala algo sobre uma Poética de Aristóteles e qualquer coisa parecida com mimesis e Platão.

Ouço tudo atônita.

Ouço-o sem ouvir.

Cem pessoas desconhecidas em volta de mim.

Parece que a voz dele serve como sonífero para a minha mente já sedada.

Aquela lousa toda escrita em grego me assusta.

– Nota mental –

Aprender grego.

– /Nota mental –

Ele me lembra algum ator de filme americano.

Dáctilos? Heltíones? Theírones?

Que diferença faz? É tudo tão semelhante.

De repente, quando se enxerga uma diferença, é tão radical que até assusta.

Agora ele resolveu falar em grego.

Grego é cantado, seria lindo se eu entendesse.

A cabeça inclinada na janela move-se de leve e olha lá pra fora.

Quantas árvores, quanto frio.

Na copa próxima, um casal de passarinhos sobre seu pequeno ninho.

Folhas secas nas árvores, folhas secas no chão.

Não tenho conseguido entender nem português.

Medo… muito medo.

Uma foto sobre a mesa.

Os deuses não fazem mal aos homens!

Braços sobre a foto.

Aristóteles defendia que…

Cabeça deitando nos braços.

Lágrimas enchem os olhos.

Aristóteles que me desculpe, eu só queria a minha casa…

{F}Utilidade Pública

Ok, depois de muitos espasmos dramáticos, vejo uma luzinha brilhando pra mim.
(Mentira, não foi depois de espasmo nenhum, e sequer vi luz alguma.) Acho que entendi porque blog nenhum meu vai pra frente. É claro que eu canso: eu não escrevo nada de útil. E nem estou dizendo útil para os outros – porque pra mim isso não faz a menor diferença. Digo útil pra mim. Nada que me faça falar “poxa, isso vai pro blog!” (Acredite ou não, no twitter é assim, no fotolog é assim, no youtube é assim… pelo menos comigo.)

Eu sou da geração blog-diáriozinho-adolescente. Diário, aquele caderninho onde contam-se os acontecimentos, as vontades, as alegrias, as angústias… o caderninho do desabafo. (E, devo confessar, tenho tendência a transformar qualquer coisa em diário. São confissões em dezenas de blogs – que eu nunca apago, mas também não lembro que tenho – fotologs, comunidades virtuais, agendas, post-its, capas de livro, embalagens, cadernos, guardanapos, panfletos aleatórios… Baixou um santo, tô anotando – estilo Chico Xavier.)

Então eu decidi. Decidi que vou fazer sim o que sempre tive vontade (e nunca coragem!). Vou fazer um blog de {f}utilidade pública. E vou falar, sim!, de banda ruim, de homem bonito (e mulher também, por que não?), de sonhos, viagens, música, bafões, celebridades, cinema, internet, moda, pessoas… enfim. Já que é pra ser piegas, vamos ser piegas com graça. E nada mais gracioso (desculpe, mas meu gosto é mesmo péssimo) que unir a pieguisse (sei, não sou Guimarães Rosa, não posso ficar criando neologismos indiscriminadamente por aí! Whatever) à criatividade, e, sei lá, estou com vontade de escrever mais. Já tive sucesso com blogs assim.

Enfim, eu estou escrevendo tudo isso hoje, e amanhã, provavelmente, já não me fará sentido nenhum. Sou inconstante, mesmo, e nem ligo. O blog é meu, eu falo o que eu quiser, posto como quiser, que ninguém vai ler mesmo.

E se eu achar isso ruim, apago! há. Olha só como posso ser má…

Brincadeiras à parte, eu realmente estou querendo mudar um pouco.
Cansei de ser um livro aberto.

E vou ficando por aqui, mais tarde revejo o post. Agora é aquela hora legal do dia em que eu pego o super trânsito de São Paulo pra chegar à acolhedora Cásper Líbero.

Fast-post

Só pra deixar registrado: Num desses meus monólogos ultra-observativos, descobri que tenho um grande defeito. Eu consigo tomar bolo até de mim mesma.

Depois me criticam porque eu me boicoto tanto. Um ser desse é digno de que? Boicote! Boicotem à Ariane. Quem sabe assim ela não mude um pouco e fique menos boazinha?

Pessoas boazinhas como eu me enojam.

Nota mental: Nunca apagar esse post, por maior que seja a raiva.

Nota mental: Nunca confiar em minhas notas mentais.

(Mais uma) Carta nunca entregue

Domingo, 13 de abril de 2008. 4h21 AM

Escrevo como quem está completa, mesmo sabendo que um pedaço meu acaba de partir. Escrevo com a consciência leve, por saber que amadureci. Pouco, mas amadureci. E me superei, superei a nós dois.

Toda vez que nos (re)encontramos é a mesma coisa. As mesmas trocas fugidias de olhares, os mesmos desvios, as mesmas tentativas de estarmos perto um do outro sem que ambos se notem. É sempre assim: você fugindo de mim, como se eu mordesse, e olhando para mim, como se me quisesse. Sempre. Nunca vi alguém procurar tanto outra pessoa como você faz comigo. É claro – você diria agora – que se eu sei que você me procura é porque estou te observando também, certo? Na verdade sim. Essa é a grande diferença entre nós dois – eu nunca tive medo de assumir que lhe amo e que só sei pensar em você; você, pelo contrário, nega até a morte algo que seus olhos, atitudes e vontades dizem: você me corresponde, mas nunca quis (ou pôde, não sei o que se passa aí dentro de você!) assumir. Preferiu correr o risco de me perder – embora eu, pessoalmente, ache isso impossível.

Já que é pra ser sincera, vamos lá: quantos anos mesmo têm que estou aqui, acorrentada no mesmo lugar, sem conseguir assumir compromisso nenhum com outra pessoa, só porque eu só penso em você? Há quanto tempo brincamos de gato e rato e invertemos os papéis aleatoriamente, chamando atenção um para o outro, causando ciúme, iludindo, machucando? Eu não sou mestra na área de exatas – pelo contrário, o engenheiro aqui é você – mas fazendo um dos meus cálculos-aproximados-com-base-em-estudos-da-5ª-série, cheguei à conclusão de que são 6 anos. É só fazer a conta aí: Começou em março de 2002; eu tinha meus 11 aninhos. Estamos em abril de 2008, fase áurea dos meus 18. E sempre foi assim. Nós sempre fugimos um do outro ao invés de contornar a situação. Agimos como se fôssemos ex-namorados que tiveram um final trágico, quando fomos apenas bons amigos que se apaixonaram e acabaram se afastando.

Eu sei, sou piegas demais. Não me lembro de você ter me dito nunca algo sobre não gostar disso. Se bem me lembro, ouvia minhas histórias com atenção, e não reclamava de nada, só de não estarmos falando de você. É. Eu era a menina isolada lá da primeira fila, até o dia em que um garotinho do cabelo cor-de-tomate resolveu passar a se sentar comigo. Nós só brigávamos. Em uma semana, estávamos melhores amigos. Até pra ir ao banheiro, precisávamos estar juntos. Um esperava o outro na porta, caso houvesse atrasos. Tingimos o cabelo de cor-de-cereja no mesmo dia. A escola toda falava que parecíamos irmãos. Naquele tempo, duas crianças de sétima série jamais estariam namorando… Naquele tempo. Enfim, nos apaixonamos, era evidente. Você brigava com qualquer um que tentasse fazer trabalhos comigo. Que se sentasse ao meu lado. Eu lhe enchia de carinhos, mimava, ajudava, fazia o possível para ver feliz. Você me ligava pra pedir perdão quando acontecia alguma coisa. Mentira: mandava um amigo ligar, porque tinha vergonha de falar comigo nessas horas. Eu ainda lembro a primeira vez em que você me ligou pra pedir desculpas. Eram cinco ou seis da tarde. Eu ouvia Wherever You Will Go, do The Calling. Achava que era a nossa música. O telefone tocou e eu não quis atender. Minha irmãzinha – então com 5 anos – entregou-me o telefone e disse seu nome. Eu só acreditei quando ouvi sua voz. Foi mágico, eu juro. Até hoje, toda vez que a escuto, eu me lembro. (Se eu parar pra contar todas as histórias que vivemos, escrevo livros, uma coleção deles. Não quero: são momentos meus, recordações minhas. Por mais que tenham me feito sofrer, faço questão de guardar.) Mas você sempre foi o descolado. Se apaixonar pela gordinha nerd não pegava bem. Simples: tratava-a de um jeito diferente na frente de seus amigos. Eles jamais iriam saber que era você quem gostava dela, e não o contrário. Funcionou durante um ano. Eu, a tal gordinha nerd, saí profundamente ferida. Você, o descolado, saiu sem mim. Acho que foi a última vez que nos falamos direito, na final de um campeonato de futebol da nossa classe, dezembro de 2002. Acabou em tapa na cara e um silêncio nada afetuoso.

Quantas coisas aconteceram depois e eu prefiro não lembrar! Quantas vezes depois disso não nos tratamos como desconhecidos, mesmo conhecendo um ao outro mais intimamente que qualquer outra pessoa no universo… Nós sempre fugimos. Eu sempre esperei você. Você continuou se preocupando com a opinião alheia. Eu nunca me importei com o fato de viver sofrendo por você. Sofri por ter guardado tanto o meu primeiro beijo a sua espera, e, no fim, não o lhe ter dado. Sofri porque as duas únicas vezes em que fiquei com alguém foram, ironicamente (ou não – a vida tem dessas coisas), no dia do seu aniversário – em 2005 e em 2007. Nas duas vezes, eu beijei pensando em você. Não senti prazer, senti culpa. Eu só me lembro de você me ligando aleatoriamente no celular pra perguntar quem era – ainda não entendo isso até hoje! – e das nossas conversas randômicas no MSN. Vira e mexe você aparece, enche a minha cabeça com ilusões e meu coração com esperanças, e cai fora logo em seguida. Que prazer há nisso?

Hoje não, hoje eu não agüentei. Eu não tinha a mínima idéia de que iria a esse evento até ontem à tarde. E ok, eu só comecei a cogitar a idéia da sua presença já hoje, quando pronta. Engraçado… Quando você chegou, eu achei que ia ser como todas as outras vezes. Olhar-nos-íamos de longe, nos evitaríamos, eu iria embora e fim. Mas não queria me sentir covarde mais uma vez. Fiz aquilo que parecia a coisa mais simples do mundo – parecia não, era a coisa mais simples! – mas que para nós dois era impossível. Três cutucõezinhos em suas costas. Seu olhar. Oi. Quando você ficou extremamente vermelho e abriu um sorriso de orelha a orelha, tudo em volta perdeu a importância pra mim. “Oi!”. Me deixei abraçar. Os dois sem jeito. Despedi-me e fui embora. Feliz.

O resto da noite se resume aos costumeiros diálogos de rabo-de-olho, às enormes trombadas ‘inocentes’, às buscas incessantes pelo outro na pista de dança. Não sou só eu quem ainda te ama. Você ainda sente a mesma coisa por mim. Suas mãos suadas me disseram que sim, suas bochechas vermelhas confirmaram. Por que diabos agora você também não amadurece e toma uma atitude de homem? Por que não se assume?

Escrevo como quem chora (e eu choro). Como quem deita todas as noites sentindo um profundo vazio por não ter você ao lado. Como quem não vê outra saída senão escrever, esperando que, algum dia, você possa ler essa carta – mesmo sem saber que já foi aquele a quem a quis endereçar. Escrevo como quem ri. Ri por saber que não guarda um amor não correspondido. Quer saber, quer mesmo saber? Escrevo como quem ama. Imensuravelmente, desesperadamente, irracionalmente. Como se amar fosse mais importante que qualquer outra coisa. Como se sem você, não pudesse existir o eu. Mesmo sabendo que eu já existia antes de te conhecer. Eu não me reconheço sem você em mim. Escrevo como quem ama. Quem ama espera a hora certa de cada coisa acontecer. E sabe que só será fe

liz quando acontecer. Se, e somente se, vier a acontecer.

Eu te amo.

{des}entendimentos

Eu ainda não entendi muitas das coisas que ouvi, li, falei e escrevi até hoje. (Outras, tenho certeza de que nunca vou entender.) Parece que, por mais que eu queira poder interpretar as coisas, não há tempo. Há sempre uma nova interpretação para se sobrepôr. Sempre novas informações sem me pedir licença. Bêbada de sono, completamente angustiada, assisto a vida passar por mim: louca de vontade de agir, mas sem a mínima idéia do que fazer. Às vezes tenho idéias. Todas parecem estúpidas. Vez por outra, tão geniais que seria estupidez supôr que funcionariam. Eu nunca concordo comigo. Estou deslocada no mundo que eu mesma criei pra mim.

Conversinhas de rabo de olho

Assim, de repente, sem explicação plausível. Só olhou pra ele e ouviu um “Senta aqui”. Foi pega de surpresa. Esperou bastante tempo por isso. Por ele. Para que se dirigisse – uma palavra que fosse! – a ela, espontaneamente. Um ano o observando sem ser notada.

(Tolinha, tão platônica. Já idealizara, já odiara, já escrevera inspirada por ele, já se arrependera muito. Tanta coisa mudando em sua vida, e ele lá. Parecia a coisa mais cruel do mundo: Como assim, o mesmo lugar? Como assim, EXATAMENTE o mesmo lugar? O destino pregando peças, e os dois acabando juntos sempre, mesmo separados. Ele… Sempre com aquele jogo de olhares, sempre mostrando que a presença dela não fazia a menor diferença.)

Chamou-a pra conversar, e desfiaram horas e horas nos assuntos mais bobos, mais prosaicos, mais comuns. Enquanto uma se derretia cada vez mais, o outro descobria que ela não era tão insignificante assim. De um segundo para o outro, sem muitas justificativas, estavam próximos.

Ele sempre a encantando. Ela sempre o surpreendendo. De certo modo, isso a alimentou. Não de esperanças, ou qualquer coisa do gênero. Se quer saber, não há como descrever do que foi que ela se sentiu cheia quando ouviu o convite. Mas, sabendo da pouca chance que tinha com ele, resolveu não tentar. Os sinais mudavam, aumentavam, mostravam-se mais evidentes.

E ela não queria tentar.

Era amor.

Era muito mais sedutor prolongar essa troca, ainda mais agora.
Agora ela tinha consciência: Ele sabia que ela existia.