Just between ourselves

Eu sei sempre do que é que estou falando. Tirando isso não sei mais nada.

Millôr Fernandes, mestreeeee!


Eu estou com medo, e já não sei mais de quê. O vestibular passou, a agonia passou, a indecisão passou. Tudo foi embora, de certa forma. E todas as não-despedidas, vontades e dúvidas agora são outras. E eu não aguento mais ter sempre um vazio, sempre um problema, sempre uma angústia nova.

Não aguento mais as noites maldormidas nem as reminiscências que ficam me perseguindo. De que adianta estar sempre sóbria se as alucinações continuam vindo? Eu não posso ficar aqui sentada pensando na vida pra sempre – embora seja a única coisa que eu saiba fazer. Parece que o tempo passou e eu continuei aquela menina que sonha demais. E o erro não é sonhar demais, não. É sair da realidade e viver no sonho. Talvez seja essa a razão pela qual eu nunca termino nada que começo. Tudo sempre começa com um sonho infantil – por menos criança que eu seja. E aí, uma hora, de uma forma ou de outra, acaba perdendo o sentido ficar alimentando determinado tipo de fantasia.

Eu não sou uma celebridade, eu não sou escritora nem jornalista reconhecida, eu não namoro aquele ator que eu venero e que não vem ao caso mencionar, eu não vou emagrecer como se colocassem uma agulhinha em mim e eu simplesmente murchasse, eu não vou conhecer a minha banda favorita tão cedo, e eu não conquisto os caras com apenas um olhar, porque também não sou uma gueixa.

Então o que eu sou, MEU DEUS!? Eu não sou ninguém. Quer dizer, eu sou alguém. Eu sou a Ariane, a ex-anglete de 17 anos, que tem um estilo tão cheio de misturas que acaba sendo único, que sempre gostou de escrever, embora não o faça bem, que sonha com um dia ser boa em alguma coisa, nem que pra isso precise dedicar amargamente vários anos de sua vida inútil. Mais que isso, eu sou a menina de quem quase ninguém sabe o nome, mas que todo mundo conhece, de uma forma ou de outra, em todo lugar onde vou. E isso me incomoda. Incomoda não ser reconhecida não por algo que faço, mas porque me acham parecida com alguém (que também não vem ao caso citar), ou porque um professor vive falando de mim. Incomoda esse meu jeito escandaloso de ser, e incomoda saber que sempre que eu quero ficar invisível eu acabo apenas aparecendo mais.

Eu sei que parece (não, não parece, é!) imaturo, e longe de mim querer passar uma impressão arrogante ou estúpida. Nem sei até que ponto não estou mesmo sendo tudo isso, mas, o que importa? Não é essa a intenção mesmo. Eu só estava precisando desabafar, porque ficar trancada dentro de casa durante um mês aguentando as minhas nóias e as da família não é, nem de longe, trabalho fácil.

E esse resultado da Fuvest que não chega? E o trote da Cásper que não vem logo? E a festa dos aprovados, quando é? Eu quero uma farra, eu quero a minha galera, eu quero um abraço amigo, poxa. (E eu quero aprender a parar um pouco de pensar e falar sobre mim.)

Agora, alguém tem alguma idéia de como me fazer parar de sonhar?

2 comentários em “Just between ourselves”

  1. Oiii!
    Também gostei daqui!
    Você escreve bem também.. Eu nem escrevo muito no meu..=

    Vamos ser comapnheiras de classe, hã?
    Eu espero..!

    Pascoal que te contou?

    Obs..: É tanta coisa.. é a fuvest, os vestibulares, o que somos ou não somos, enfim.. Mas não se preocupe tanto. Só siga o caminho… Por mais clichê que isso pareça..=

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