No auge dos meus 18 anos, primeiro período da faculdade, surgiu um guri se dizendo apaixonado. Veterano, caladinho, romântico, falou que eu era especial, fez o fofo, criou todo um discurso de que não queria só “ficar”… Primeiro achei meio patetão. Depois babei. Não era bonito, mas quem repara nisso? Ele tinha as características dos sonhos de qualquer mulher! Acontece que, logo depois do nosso PRIMEIRO BEIJO (sim, PRIMEIRO), bateu uma crise de sinceridade no pobrezinho. Sim, ele disse que foi só sincero. E eu é que paguei o pato:
– Só tem uma coisa…
– O que foi?
– É que assim, Ariane… Você até é bonita, mas é gorda. E, sabe, meus amigos podem zoar, rir, fazer piadas…
– …
– Não, você é linda. Não se preocupe. Mas é que eu vou ter que me esforçar e tal. E te defender (…insira aqui um blablabla e uma bullshitagem a respeito de como ele sofreria me defendendo dos amigos, ó como ele era bondoso por estar com a gorda mesmo havendo piadas!)
Seguinte, eu nem lembro o que foi que ele falou depois. Entrei em transe. Juro. Fiquei MUDA. SEM REAÇÃO. Do tipo alô-garoto-tá-zoando-a-minha-cara? Porque eu não estava lidando com um moleque de 12 anos, gente. Era um homem feito, já. Deselegante. Não surtei nem nada, só que nunca mais deixei ele encostar em mim nem pra dar oi. Assim, sutilmente. Peguei nojinho.
É claro que foi uma reação exagerada, mas vejam bem: eu era na minha. Sempre tive problemas de autoestima. *Detalhe: Na ocasião eu pesava quase 20 kg a menos do que eu peso hoje.* Daí um filho da mãe vem me dizer que eu vou ser um problema logo depois de se declarar? NÃO FODE! Até porque, nessa época eu era praticamente BV (não riam): tinha beijado um garoto aos 15 anos e nunca mais. E, desculpem, se tem uma coisa que eu tenho em mente a vida toda é que, no dia em que eu estiver com alguém, vai ser uma pessoa que me aceite como eu sou. Vai ver é por isso que cheguei aos vinte e ainda estou sozinha.
**
PROMOÇÃO
Eu sei que já contei essa história aqui uma vez, mesmo que de forma sutil. Daí, como essa semana fui convidada a assistir a peça Gorda, de Neil Labute, o assunto acabou por voltar à memória — e onde é que eu lanço angústias quando a coisa aperta? No blog, né. =P
Gorda conta a história de Tony, um executivo bem-sucedido que se apaixona perdidamente por Helena, uma mulher inteligente, de bem com a vida e… Acima do peso. A partir daí, ambos são obrigados a encarar o preconceito de seus amigos, que representam nossa sociedade obcecada com a imagem. Estrelada por Fabiana Karla (é, poooooode!) e Michel Bercovitch, a comédia dramática foi sucesso de público e crítica nos Estados Unidos, Europa e América Latina. E, pra minha alegria, semana que vem estreia a temporada no Teatro Procópio Ferreira, ali na Augusta. Pra minha alegria porque eu sempre quis saber como outras pessoas lidariam com situações feito a minha, mesmo que fosse só na ficção. E agora terei a chance. =)
A novidade é que não sou só eu quem vai poder ver Gorda logo na estreia. Ganhei também três pares de ingressos pra sortear entre vocês, que acompanham minhas desventuras nos blogs e nos twitters. Então, bonitos de São Paulo que quiserem ver a peça no dia 14 de março às 19 horas, corram pra participar. ![]()
Como eu não tenho PACIÊNCIA NENHUMA pra promoções de RT, mas também não tenho tempo pra fazer algo mais elaborado, as regras são simples: Basta twittar a resposta para “QUANTO PESA SEU AMOR?” colocando no final o link http://migre.me/ncKC. Serão aceitas respostas até sexta-feira, às 17h.
Não precisa mergulhar no dramalhão mexicano não! Aceito links, números, imagens, posts, frases, músicas, piadinhas… O que vale é participar. Caso role bastante coisa bacana, posto os melhores tweets aqui depois.
Quem quiser participar comentando no blog, ok também.
Não esqueçam de me seguir no twitter pra que eu possa combinar tudo via DM após o sorteio, hein?
ATENÇÃO: NÃO ESQUEÇAM DE COLOCAR A URL http://migre.me/ncKC NO FINAL DO TWEET. É por ela que farei o sorteio.
![]()
Qualquer dúvida, comentários são serventia da casa.
Aqueeele beijo!
———————
GORDA
Texto: Neil LaBute
Direção: Daniel Veronese
Elenco: Fabiana Karla (Helena), Michel Bercovitch (Tony), Mouhamed Harchouf (Caco) e Flávia Rubim (Joana)
Teatro Procópio Ferreira
Rua Augusta, 2823
Estreia dia 12 de março de 2010
De sexta à domingo


