Eles estão sempre ali: pra nos levar ao cinema, jantar, trocar mensagens de madrugada, morrer de dar risada em papos no metrô, viver cenas de sitcom, dividir a conta do bar, dar presente fora de época, dividir livros, crushes, crises, discutir relacionamento, compartilhar relacionamentos, aprender e ensinar, ter e causar ciúme – e cantar, dançar, passear no shopping, nas ruas, em festas loucas cheias de desconhecidos.
Alguns servem até para sanar eventuais carências com abraços, beijos, sexo, o que for preciso. Outros ficam melhor só na zona do conselho, do sonho, da parceria – nosso suporte pra compreender e não desistir do amor. Uma hora cicatriza, uma hora chega.
O que importa é que eles existem e estão conosco diariamente. São amigos e amigas que nos fazem felizes gratuitamente, que completam o nosso cotidiano as vezes tão sem sentido. Que são incríveis apenas por existir e querer pertencer ao nosso universo. E, como todo ser humano, que às vezes até são difíceis de lidar, mas já se tornaram indispensáveis e merecem ouvir um “Eu te amo” hoje (e sempre) mais do que ninguém.
Faz muito tempo que estamos jogando o mesmo jogo e nenhum arrisca o próximo movimento. Os dois ficam ali, parados. É cômodo, o empate. Ninguém ganha, ninguém perde. O problema é que assim todos sofrem. Nós, os outros. Fica tudo envolto na poeira das nossas dúvidas, dos nossos desencontros. As euforias desmedidas seguidas pelas crises de profunda tristeza abalando os dois e o resto do mundo.
Nós todos, imbecis.
Porque tem que avançar quantas casas achar preciso. Dar na cara mesmo e não ter medo de partir ou ficar, nem de fazer o que der vontade, quando der vontade. Alguém tem que ganhar, alguém tem que perder – e mesmo um empate só faz sentido quando o jogo valeu a pena. Não dá pra entregar os pontos, passar a vida pensando no que os outros vão achar, no que você ou eu deveríamos escolher. Paremos de ficar criando critérios malucos de seleção, de perfeição, de avaliação. Você não é perfeito, eu não sou perfeita, ninguém é. Não se engane, não.
Triste é quem fica se tolhendo por isso. Quem passa o dia se julgando e lutando contra as próprias vontades. Eu escolho não acreditar em nada disso: em perfeição, em ideal, em esperar as coisas acontecerem. Escolho ceder às vontades, passar por louca, pedir desculpas, sofrer a amnésia e a ressaca que tiver que sofrer. Escolho me entregar de olhos abertos, pular do avião sem saber se a cordinha vai ou não abrir o paraquedas na hora certa.
Se vou voar ou me estabacar no chão, não importa. Por alguns segundos, eu tive o que sempre quis. O resto é consequência.
A única coisa certa nessa vida é que vamos todos morrer. E eu escolho ser sincera comigo até o fim.
Quero ser infinita, sabe por quê? A vida acontece, meu amor. Quer você queira ou não.
Olhe pela janela. Os carros na rua. As pessoas seguindo pra lá e pra cá sem nem ao menos notar que estamos aqui.
E não sei quanto a você, mas tudo que não quero é passá-la me culpando por não ter tentado. Eu quero continuar assim, aceitando cada situação como uma nova tatuagem. Eu escolho, enfrento a dor, aguardo a cicatrização e aprendo a conviver com aquela marca para sempre.
Porque tudo cicatriza, meu bem.
It’s a long way down, but I feel alright. And the cops get in, and the crowd gets tight – take your tomorrow, pain and your sorrow and teach it how to fly.
(se eu tiver coragem de dizer que eu meio gosto de você, você vai fugir a pé? e se eu falar que você é tudo que eu sempre quis pra ser feliz… você vai pro lado oposto ao que eu estiver?
ei, vai pegar mal se eu contar que eu imprimi todo o seu mapa astral? você foge assim que der, quando souber? e se eu falar que eu decorei seu RG só pra se precisar? você vai pra um chalé em Macaé?)
Talvez eu devesse amaldiçoar o desejo de simplesmente guiar sem rumo. Um erro, seguir assim. Passava das onze e todo o bairro estava vazio – é disso que eu gosto na periferia, esse toque de recolher que se instaura muito antes da madrugada, as casas apagadas e a avenida silenciosa e iluminada apenas pelos sinais. É como estar num cenário de filme, nada é real.
Se chovesse naquela hora, eu me sentiria Joel Barish em Brilho Eterno de uma mente sem lembranças. Mas o tempo estava seco. Gelado e seco. Eu me sentia verdadeiramente sozinha – exceto pela voz do GPS me guiando eventualmente “prepare-se para virar à esquerda em 200 metros”. Ah, a tecnologia. Liguei o rádio.
E aí tocou Lonely Boy, dos Black Keys. Foi aleatório e me pegou desprevenida. Ali, no deserto, no frio gostoso de São Paulo pré-inverno, era quase como se eu pudesse sentir os seus lábios macios nos meus de novo. Como se fosse a primeira vez, eu completamente enfeitiçada pelo seu sotaque carregado e as histórias que você me contou naquele vinte e um de janeiro abafado, histórias de longe e de perto, todos os corações que você partiu e ainda partiria, nós dois sentados num colchão em seu quarto.
Engraçado, faz tanto tempo.
Anos. E eu ainda consigo sentir o gosto do beijo mais estranho que já dei. Um beijo pra tentar quebrar o ar confuso que você criou com seu discurso ensaiado de que ora, eu sabia no que estava me metendo – e se o aceitava, era por minha conta e risco. E então sua mão repousando na minha cintura enquanto cobria minha cabeça com seu casaco, protegendo o que podia da chuva, ambos em frente à sua casa.
Eu me vi mais uma vez ali, partindo, mudada para sempre.
Sentindo-me tão esperta… Só que completamente perdida, tolinha.
Eu era tão jovem.
E nem faz tanto tempo assim, ora veja. Depois de você, pensei que não fosse conseguir gostar de ninguém. Depois de tudo, eu passei dois anos acumulando copos e corpos e me munindo de um discurso tão desprezível quanto o seu para fugir de algo simples: sentir de verdade.
Eu era mais jovem, sim. E faz algum tempo. Mas eu finalmente descobri o amor – e acho que talvez devesse te agradecer por ter falhado tanto comigo. Você me fez pensar. E ousar. Você me fez descobrir exatamente como eu não quero ser.
E só então entender que é sempre tão simples como tem que ser. Por mais complicado e cruel que pareça.
(e foi num show dos Black Keys que eu te vi pela última vez, de longe, um espelho do quanto eu mudei em tão pouco tempo. e como você continua o mesmo.)
Any of the time you keep me waiting, waiting, waiting.
Estou desde ontem com MUITA dor. E não é só um tipo de dor, são vários. Cólica, gastrite e dor no corpo, tudo atacado junto. Eu andava muito estressada, muito. a ponto, por exemplo, de ficar três meses sem ciclo. Aí, quando eu finalmente dei um basta no que estava me matando, me acontece isto. É meio que uma revanche do meu organismo, parece.
Ainda assim, enquanto sinto cada parte do meu corpo reclamando, minha consciência é o que mais incomoda. Eu fico pensando nas coisas que eu faço e falo em publico e tenho tanta vergonha de existir que entendo por que diabos não gosto de sair e nem de ter amigos. Eu sou uma imbecil, mesmo. Tinha que viver escondida.
Eu sou esquisita pra cacete. Sofro por ouvir, sofro por guardar, sofro por falar. Tudo vira sofrimento. Tudo. Por que eu faço isso? Não sei. Só sei que estou aqui de novo tentando não me culpar por ser tão imbecil. Mas a culpa, é obvio, é minha sim.
Eu não sei flertar. Não fui programada pra isso, não possuo equilíbrio psicológico nenhum pra joguinho e sedução e duplo sentido.
Nunca sei como agir com as pessoas. Desconheço grande parte dos protocolos sociais. É difícil viver e não passar vergonha. É difícil existir e não interferir no outro.
Gosto quando as coisas vão direto ao ponto. Mas confesso que também não sou tão boa em ser direta. E tenho o defeito humano de não me interessar pelo que vem fácil demais, portanto sei que não adianta me servir numa bandeja. Quando não esbarro na questão primária que é SER DIRETO DEMAIS ASSUSTA, o profundo dilema da (auto)confiança bate forte. Em geral é um saco, mas no fim… Ainda bem.
Ainda bem, porque senão eu acabaria magoada todos os dias.
A rotina é simples:
A janelinha abre: “Oi, tudo bem?”
O fôlego some por alguns segundos e então escrevo toda a verdade. Digito sem parar. Leio. Releio. Acrescento um detalhe ou outro. Leio mais umas três vezes.
E apago.
“Tudo bem, e você?”, respondo afinal.
“Tudo bem, e você?” significa “eu te amo, será que você não percebe?”, “Por que você não me ligou ontem?”, “E se a gente saísse por aí sem hora nem lugar pra voltar?”, “Você está curtindo aquela garota?”, “Estou morrendo de saudade, volta”, “Não consigo mais aceitar que a gente não dá certo”, “Faria qualquer coisa pra sairmos ao menos uma vez”, “Paquero você desde o colegial”, “Estou péssima, queria seu abraço”, cabem infinitas possibilidades.
E, é claro, também pode significar só “Tudo bem, e você?”.
Às vezes eu sou tão contraditória que não me aguento.
Eu já nem sei se é a minha sorte que anda se disfarçando de azar ou o meu azar se disfarçando de sorte, mas o caso é que hoje, a caminho do trabalho, o ônibus bateu. Bateu, parou, mandou todo mundo descer (e era MUITA gente).
A uma quadra do meu destino, isto é: tá tudo bem agora.
andei tendo aqueles sonhos de novo. aqueles que eu sei que vão virar realidade num futuro próximo e que me fazem sofrer duas vezes: por antecipação e na hora em que de fato acontecem.
Ariane Freitas em uma de suas múltiplas personalidades, a saber: a ~do amor~. Jornalista, 23 anos, apaixonada por mais coisas do que acha que seria capaz de listar aqui, trabalha na Criação de uma agência de propaganda como redatora - com foco em redes sociais e conteúdo digital - e não se cansa de devorar livros e pensar em maneiras de fazer sua própria empresa bombar (é, ela recentemente abriu empresa com uma amiga).
Tem dentro de si, (não tão) adormecidas, uma pinup e uma estrela do rock. Queria ter mais tempo para dedicar ao violão, à guitarra, ao microfone e às câmeras - todos objetos que, apesar de amar muito, às vezes até se esquece de como manusear. Já foi embaixadora de marca de jeans, site de música e até de um sabor especial de cupcake. Hoje encarna o #projetogordelícia (porque tem uma hora que a gente tem que voltar à forma, né?).
Se você liga pra esses papos de horóscopo, talvez corra ao descobrir que ela é ariana com ascendente em escorpião. Mas não se engane, apesar de muito fogo e fúria, ela é do tipo (besta) que ainda acredita no amor (e vive pra ver a notícia de que chocolate não engorda tanto).
No twitter, atende por @lovemaltine. Você também pode encontrá-la mandando um email para arianeqfreitas@gmail.com
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