Mar 10

No auge dos meus 18 anos, primeiro período da faculdade, surgiu um guri se dizendo apaixonado. Veterano, caladinho, romântico, falou que eu era especial, fez o fofo, criou todo um discurso de que não queria só “ficar”… Primeiro achei meio patetão. Depois babei. Não era bonito, mas quem repara nisso? Ele tinha as características dos sonhos de qualquer mulher! Acontece que, logo depois do nosso PRIMEIRO BEIJO (sim, PRIMEIRO), bateu uma crise de sinceridade no pobrezinho. Sim, ele disse que foi só sincero.  E eu é que paguei o pato:

– Só tem uma coisa…
– O que foi?
– É que assim, Ariane… Você até é bonita, mas é gorda. E, sabe, meus amigos podem zoar, rir, fazer piadas…
– …
– Não, você é linda. Não se preocupe. Mas é que eu vou ter que me esforçar e tal.  E te defender (…insira aqui um blablabla e uma bullshitagem a respeito de como ele sofreria me defendendo dos amigos, ó como ele era bondoso por estar com a gorda mesmo havendo piadas!)

Seguinte, eu nem lembro o que foi que ele falou depois. Entrei em transe. Juro. Fiquei MUDA. SEM REAÇÃO. Do tipo alô-garoto-tá-zoando-a-minha-cara? Porque eu não estava lidando com um moleque de 12 anos, gente. Era um homem feito, já. Deselegante. Não surtei nem nada, só que  nunca mais deixei ele encostar em mim nem pra dar oi. Assim, sutilmente. Peguei nojinho.

É claro que foi uma reação exagerada, mas vejam bem: eu era na minha. Sempre tive problemas de autoestima. *Detalhe: Na ocasião eu pesava quase 20 kg a menos do que eu peso hoje.* Daí um filho da mãe vem me dizer que eu vou ser um problema logo depois de se declarar? NÃO FODE! Até porque, nessa época eu era praticamente BV (não riam): tinha beijado um garoto aos 15 anos e nunca mais. E, desculpem, se tem uma coisa que eu tenho em mente a vida toda é que, no dia em que eu estiver com alguém, vai ser uma pessoa que me aceite como eu sou. Vai ver é por isso que cheguei aos vinte e ainda estou sozinha.

**

PROMOÇÃO :D

Eu sei que já contei essa história aqui uma vez, mesmo que de forma sutil.  Daí, como essa semana fui convidada a assistir a peça Gorda, de Neil Labute, o assunto acabou por voltar à memória — e onde é que eu lanço angústias quando a coisa aperta? No blog, né. =P

Gorda conta a história de Tony,  um executivo bem-sucedido que se apaixona perdidamente por Helena, uma mulher inteligente, de bem com a vida e… Acima do peso. A partir daí, ambos são obrigados a encarar o preconceito de seus amigos, que representam nossa sociedade obcecada com a imagem. Estrelada por Fabiana Karla (é, poooooode!) e  Michel Bercovitch, a comédia dramática foi sucesso de público e crítica nos Estados Unidos,  Europa e América Latina. E, pra minha alegria, semana que vem estreia a temporada no Teatro Procópio Ferreira, ali na Augusta. Pra minha alegria porque eu sempre quis saber como outras pessoas lidariam com situações feito a minha, mesmo que fosse só na ficção. E agora terei a chance. =)

A novidade é que não sou só eu quem vai poder ver Gorda logo na estreia. Ganhei também três pares de ingressos pra sortear entre vocês, que acompanham minhas desventuras nos blogs e nos twitters. Então, bonitos de São Paulo que quiserem ver a peça no dia 14 de março às 19 horas, corram pra participar. :)

Como eu não tenho PACIÊNCIA NENHUMA pra promoções de RT, mas também não tenho tempo pra fazer algo mais elaborado, as regras são simples: Basta twittar a resposta para “QUANTO PESA SEU AMOR?” colocando no final o link http://migre.me/ncKC. Serão aceitas respostas até sexta-feira, às 17h.

Não precisa mergulhar no dramalhão mexicano não! Aceito links, números, imagens, posts, frases, músicas, piadinhas… O que vale é participar. Caso role bastante coisa bacana, posto os melhores tweets aqui depois. :)

Quem quiser participar comentando no blog, ok também. :)

Não esqueçam de me seguir no twitter pra que eu possa combinar tudo via DM após o sorteio, hein?

ATENÇÃO: NÃO ESQUEÇAM DE COLOCAR A URL http://migre.me/ncKC NO FINAL DO TWEET. É por ela que farei o sorteio. ;)

Qualquer dúvida, comentários são serventia da casa.

Aqueeele beijo!

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GORDA

Texto: Neil LaBute
Direção: Daniel Veronese
Elenco: Fabiana Karla (Helena), Michel Bercovitch (Tony), Mouhamed Harchouf (Caco) e Flávia Rubim (Joana)

Teatro Procópio Ferreira
Rua Augusta, 2823
Estreia dia 12 de março de 2010
De sexta à domingo

Mar 10
no ouvidinho
icon1 Ariane Freitas | icon2 O Fantástico Mundo de Ariane | icon4 03 10th, 2010| icon3No Comments »

the great pumpkin salvou minha tarde cinza.

Mar 9

I know how it goes,
So I just had to let you know I know

My life’s been stinking, my heart’s been shrinking,
And I’m too busy thinking to stop
I blink and you’re gone

Should’ve been in love
We should’ve been in love
We should’ve been in love

should’ve been in love, wilco.
ou: resumo da minha vida

[sem tempo nem pra botar pra fora o que está me consumindo]

Mar 3
Chave
icon1 Ariane Freitas | icon2 O Fantástico Mundo de Ariane | icon4 03 3rd, 2010| icon34 Comments »

E daí que eu estava sonhando com um dos meu mil causos de amor platônico e, no meio de um diálogo entre os dois, disse uma frase qualquer. Só que a frase qualquer surtiu um efeito estranho, do gênero COMO NÃO PENSEI NISSO ANTES e, do nada, eu acordei repetindo-a e procurando com as mãos um papel e uma caneta para anotar, como se fosse a solução de todos os meus problemas recentes. Até aí, normal. Acontece sempre. Quase derrubei o notebook que fica na cabeceira da cama tentando pegar o moleskine que deixo ali exatamente para situações como essa. Pensei “porra, já escrevi coisa muito melhor. já pensei coisa muito melhor e deixei passar”, parei de tatear o universo, fechei os olhos e voltei a dormir. Voltei a dormir? QUEM ME DERA. A frase começou a se repetir ad infinitum na minha mente. Em todos esses anos nessa indústria vital, essa é a primeira vez que isso me acontece. Uma coisa meio neurótica, até, porque vejam bem, gente, não era O SEGREDO DO UNIVERSO, era só um devaneio-discussão-de-relacionamento. Digamos que eu NÃO DORMI MAIS. Fiquei num estado transitório ali entre sonho e realidade em que eu falava a mesma coisa o tempo todo. Para mim. Para os meus pais. Para os caras por quem sofri. Para os caras por quem sofrerei. Para aqueles com quem eu fiquei só pra ver como era. Extremamente bizarro. Horas e horas assim.

Às cinco, quando levantei para ir trabalhar, finalmente anotei a tal da fala no moleskine. Coloquei ele de volta na cama. Pensei bem, arranquei a página com a anotação e coloquei na bolsa. Vai saber, né? Depois eu deixo a anotação em casa e a frase me atormenta pelo resto do dia, deusmelivre. Não ando muito certa das coisas, mesmo.

No caminho, olhando com atenção, entendi a reação (exagerada) da minha cabeça. É exatamente o gancho que eu precisava para terminar um livretinho que não consigo parar de revisar há um mês. O que me mata é que (além de ser simples) ela é só um elemento pequenino num universo de frases e clichês e discussões mal sucedidas e relacionamentos platônicos e conturbados. Quer dizer, uma noite de sono se foi e é capaz que (supondo que alguém além de mim leia o livreto) ninguém nunca enxergue tudo o que há ali. Pior (e mais plausível ainda): é capaz que entendam tudo completamente às avessas.

Se bem que é por isso que eu amo tanto a literatura.

E aqui vem a ênfase: amo CONSUMIR, não PRODUZIR — – se é que esses são termos cabíveis, rola toda uma reflexão que eu não vou fazer agora — literatura. Até mesmo porque eu já cheguei a conclusão de que não sei criar, eu vivo. Imaginação aqui, não trabalhamos. Mas não vou chorar minhas pitangas por não ter nascido genial como os caras que admiro desde criança. Não agora. Eu só precisava deixar constar aqui que ando mais desequilibrada que o normal.

(E que finalmente eu entendi o que faltava do último universo que construí, bora partir pra um outro!)

Feb 26
icon1 Ariane Freitas | icon2 O Fantástico Mundo de Ariane | icon4 02 26th, 2010| icon3No Comments »

porque é isso, sempre é: de que adiantam todos os contatos em todas as redes sociais e todos os números na agenda do celular se, quando você quer chorar, quando precisa de cama, um beijo longo, um abraço forte e aquele silêncio reconfortante em que só os cheiros conversam, não tem a quem recorrer?

vez por outra (é desesperador) isso me ocorre com mais e mais e mais força.
mais força.

Feb 22

eu vou explicar pra vocês o meu problema: eu busco motivos para surtar o tempo todo.

vejam bem: tenho sentido vontade de uma daquelas paixões incontroláveis, do tipo que faz as pessoas cometerem loucuras nos lugares mais imprevisíveis e nas horas mais impróprias. em que tudo é proibido e nada respeitado. sinto vontade, só. no meio da empresa, atolada de coisas para fazer. quédizê, tentar sentir qualquer coisa não é uma opção, então eu sento e espero passar. sei que é possível ignorar esse tipo de coisa ao todo. todo sentimental é um cínico, aprendi com Oscar Wilde. e o meu cinismo tem servido de alimento à minha loucura.

eu reclamava todos os dias por não conseguir esquecer alguém, por estar sofrendo and all that jazz. hoje meu problema todo é não estar apaixonada. não ter nada que acelere meu coração por motivo algum. é. ninguém a quem eu possa atribuir a culpa por minhas angústias  sem sentido (sim, elas existem, esteja eu apaixonada ou não) e que eu deseje o tempo todo por perto pra abraçar, beijar, sentir falta do sabor dos lábios nos meus. cínica.  não nego minha alma nem minhas lágrimas, mas não nego também que tudo é fruto de minhas próprias buscas (e da minha carência exagerada).

outra sexta eu li o never date a writer, um verdadeiro tapa na minha face sem cor. começou me fazendo sentir culpada (eu já fui a escritora, a destruidora de reputações, a sem-coração que fez com que um qualquer lembrasse de coisas que provavelmente não fez), depois amedrontada. eu me apaixono por escritores todos os dias. um atrás do outro. sempre sem motivo algum. sempre enlouquecendo a mim e aos outros. divaguei com um amigo — escritor, vejam só — a respeito e, como era previsto, não chegamos a lugar algum. não há lugar algum a que cheguemos. nada faz sentido.

eu enxergo sempre os buracos em que vou me metendo. a verdade única e exclusiva é a de que estou sempre atrás de problemas. de confusão. eu sempre quero o mais difícil, o mais errado, o mais confuso. sempre me envolvo nas relações mais problemáticas [e assustadoras, e engraçadas, e patéticas, tudo ao mesmo tempo].

e se eu não o fizer, minha vida não tem graça nenhuma. por exemplo, como agora.

porque se tudo dá certo sempre sobra um vazio tão chato e uma ideia de que tudo podia ser bem melhor


vai entender: ontem eu mataria pra estar assim, livre. hoje eu queria MUITO conseguir estar apaixonada.
(tudo bem, um dia eu paro de agir feito uma adolescente. por enquanto tá até bem legal.)



alguém me dá um tapa na cara e me ajuda a achar logo um homem de verdade que mate essa carência (de problemas e de carinho e de aventuras)?

Feb 18
dia de quinta
icon1 Ariane Freitas | icon2 O Fantástico Mundo de Ariane | icon4 02 18th, 2010| icon31 Comment »

[juro que o post é ainda mais babaca que o trocadilho do título]

as piores coisas:
estar na cama e não dormir,
querer alguém que não vem,
tentar agradar e desagradar.

irônico, mas trombei com esse trecho grifado no meu CRACK-UP nessa madrugada insone. bah, bobeei também de ir fuçar Fitzgerald às duas da manhã. sentia as três fucking piores coisas. ao mesmo tempo.

—-

enfim, não lembrava do grifo.
ok: levantei às 5h, depois de horas tentando, em vão, dormir.

—-

desejos do dia:
red-filtered ones.
café.
leituras.

teria dado tudo certo antes mesmo das sete e meia da manhã, mas o shuffle tocou Coldplay, o caixa eletrônico tava sem grana (gente, como pode, me diz? por que comigo?) e nenhuma das padarias da redondeza aceitava master débito. cara, sério, vou começar a boicotar estabelecimentos que só aceitam VISA. simples assim.

—-

também hoje cedo sumiu meu cartão da empresa e fiquei trancada para fora até encontrar-me com a ADORÁVEL faxineira. não fosse ela, teria esperado ao menos 40 minutos até a recepcionista chegar. (e não me perguntem por que eu chego antes da recepcionista, acontece)

—-

em resumo: TÁ TUDO CAGADO. pelo menos até a hora em que eu tomar meu maldito café com fumaça.

—-

alguém aí acredita em INFERNO ASTRAL antecipado?
porque assim, só de vislumbrar 29 de março no horizonte, meu fevereiro tá sendo a maior fonte de #VDM do universo.

esse post entrava fácil no hatemaltine.

Feb 9
terça-feira
icon1 Ariane Freitas | icon2 O Fantástico Mundo de Ariane | icon4 02 9th, 2010| icon31 Comment »

acordei de um sonho que nem sei se era bom ou ruim: o chamado de meu pai cortou-o pela metade e o mistério que eu achei que finalmente fosse ser solucionado prolongar-se-á mais um pouco. cheguei ao trabalho antes das sete e meia, como de costume. liguei o ar condicionado, meu computador, abri as persianas, preparei um café. pensei comigo mesma: “mais um dia, Ariane. mais um”. já estava com a cara amarrada, sem nenhum contentamento, o último gole do café amargo ainda descendo pela garganta, quando o notificador do gtalk subiu um novo email. abri sem entusiasmo e então tive uma surpresa.

Assunto: ontem
Para: Ariane Dilicia <arianeqfreitas@gmail.com>

Eu queria ter dito isso, mas tava na loucura do trabalho. Você me fez rir pela primeira vez na segunda quando falou do miojo. (L)

foi tão inesperado que fez meu dia. primeiro eu ri (ele me gravou no mailing dele como Ariane Dilicia. dá pra levar essa criatura a sério? haha), depois achei fofo (ah, vai dizer que você não achou também? nem eu lembrava de ter contado pra ele sobre minha vontade de miojo).  misturei os dois, humor e carinho. e agora eu preciso tirar esse sorriso babaca do rosto e trabalhar com seriedade — mas tá dificil.

(ainda bem que ele não tem twitter e nem liga pra blogs e afins, porque essa coisa de “ai, como eu amo meu amigo” é tão brega que chega a ser o fim. mas eu gosto desse meu jeitinho piegas.)

Feb 4
Atrasada
icon1 Ariane Freitas | icon2 O Fantástico Mundo de Ariane | icon4 02 4th, 2010| icon31 Comment »

Porque eu achei que fosse ser simples conviver sem o juízo e com a solidão por perto, acabei entrando numa crise desagradável. É claro que os remédios e a perda de tia Adeilda influenciaram muito nesse meu choque-seguido-de-desequilíbrio, mas, verdade seja dita, eu preciso me organizar. Estou agindo feito uma criança, tendo reações (ainda mais) exageradas e incoerentes perante coisas simples e, especialmente, estou perdendo o foco do trabalho – o que me faz levar muito mais tempo pra terminar as tarefas.

Como sou extremamente chata com prazos, só quem sai prejudicada sou eu. Fica um tal de entra cedo, sai tarde e ainda faz coisas em casa que peloamordedeus. E falo não só do estágio, mas do site, das discussões, de tudo, enfim. Estou me organizando. A vida desregrada vai ter que se limitar ao emocional, que por sinal anda incomodado com planos de “solidão assistida”. Eu adoro essa minha impulsividade e o desejo de viver intensamente tudo quanto for possível. Essa necessidade de extrair o máximo possível de toda e qualquer dor. Maiores babaquices do universo, a gente vê por aqui.

O conjunto de situações me leva a crer em somente uma coisa: Estou atrasada. Muito. Vivendo os quinze anos agora que estou chegando nos vinte. Saco de hormônios. Pré-adolescente. Pra definir tem também a tese que me foi apresentada pelo Edney, bem válida até, que diz que o maior grau na escala da evolução humana é a 5ª série. E, bem… Na 5ª série eu tinha 9 anos. Nem preciso dizer mais nada. Atrasada, gente. Estou (não importa como quando onde por que) atrasada.

Mas continuo deixando juízo pra mais tarde e querendo mesmo é curtir a vida.

Feb 2
fevereiro
icon1 Ariane Freitas | icon2 O Fantástico Mundo de Ariane | icon4 02 2nd, 2010| icon3No Comments »

prospecção: epic depressive shit

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